Todo apoio à Ocupação William Rosa!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Na madrugada de 12 de outubro, 330 famílias organizadas pelo Movimento Luta Popular, filiado à CSP-Conlutas, ocuparam um terreno na cidade de Contagem, região Metropolitana de Belo Horizonte. A ocupação recebeu o nome de William Rosa em homenagem ao professor do Instituto de Geografia da UFMG .William Rosa era militante aguerrido das lutas populares e faleceu vítima de um acidente automotivo em 1º de dezembro de 2012. No domingo, segundo dia de Ocupação, mais de mil famílias se somaram à luta e também montaram acampamento no local. Passadas 2 semanas, são 3500 famílias cadastradas.

O terreno pertence ao governo federal e estava sob a responsabilidade do CEASA/MG. Há cerca de 40 anos o terreno ficou abandonado, servindo para descarte de entulho e lixo, sem nenhuma função social. A área possui cerca de 150 mil metros quadrados numa região onde o déficit de moradia popular é um dos principais problemas da população.

A ocupação esta organizada em várias equipes. A de infra-estrutura teve como tarefas imediatas a construção da cozinha coletiva, banheiros e creches. Outra equipe ficou responsável por providenciar a água canalizada e energia elétrica. A equipe cadastramento das famílias iniciou a numeração das barracas e anotação dos dados dos respectivos ocupantes. A equipe de segurança se distribui sob os pontos estratégicos do terreno. Muitas são as mulheres à frente das equipes de coordenação dos setores e das tarefas. 
As mulheres são maioria na ocupação. Isso se deve ao fato de que as mulheres, especialmente as negras, recebem os menores salários e estão nos empregos mais precários. São, portanto, as que esperam anos nas filas para serem sorteadas nos insuficientes programas de moradia municipais.

Pedimos aos movimentos feministas e aos sindicatos filiados para dar apoio a estas famílias, conhecendo a ocupação e também organizando campanhas de doações. Fica cada vez mais claro o quanto os salários baixos e a falência dos programas governamentais, como o Minha Casa Minha Vida, não atendem às necessidades do povo pobre.

Enquanto morar for privilégio, ocupar é direito! 
O ano de 2013 está sendo marcado pelo retorno da classe trabalhadora brasileira às ruas. Se junho foi o mês das grandes passeatas, o segundo semestre deste ano trouxe um aumento crescente das ocupações urbanas na região metropolitana de Belo Horizonte. A explicação para isto é bastante simples: é impossível a uma família que ganha até três salários mínimos adquirir moradia. O preço dos aluguéis é insustentável, chegando a consumir até 50% da renda de quem já vive com muito pouco, e com a volta da inflação o quadro se agrava ainda mais.

Os programas governamentais atendem um percentual insignificante de famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha vida – programa do governo federal muito propagandeado pela presidenta Dilma, garante o repasse de recursos para as grandes empresas que, por questões econômicas, optam por não construir moradias para a população que recebe até 3 salários mínimos. A consequência disto é que até início de 2013 , na região metropolitana, o número de casas entregues para famílias com esta faixa de renda não conseguiu suprir sequer a nova demanda gerada, quanto menos diminuir o déficit habitacional de mais de 170 mil famílias.

Os programas municipais nos últimos anos, tanto de BH quanto de Contagem, serviram apenas para garantir moradia para parte das famílias que são removidas em função das obras. Quanto aos programas estaduais, estes não existem. Há mais de 20 anos que os governantes mineiros não constroem nenhuma moradia na região metropolitana. Para todo o estado o orçamento destinado a esta área não chega a 1% da receita. Como se vê, nem Lacerda, nem Carlim, nem Anastasia e nem Dilma atuam para garantir o direito básico de moradia às famílias mineiras.

É este quadro de desalento que faz com que milhares de famílias optem pela ação direta e por ocupar terrenos abandonados na cidade. Tentam assim garantir na luta um direito que lhes é negado. Quando se organizam, atuam para que a ocupação do espaço urbano seja mais racional.

Sabemos que o sucesso destas famílias representa uma vitória para todos os trabalhadores, por isto pedimos a solidariedade de todos, para que a ocupação William Rosa possa enfrentar a repressão e a inércia do estado e se consolide.

Como contribuir
Visite a ocupação que fica no bairro Jardim Laguna, próximo ao Ceasa e se puder nos ajude a recolher roupas, alimentos, material de construção. Entregue as doações no próprio local, na CSP- Conlutas (Av. Amazonas 491, 10º andar), Sindeess (Rua Floresta 114), UFMG - Novos pontos de coleta serão divulgados em breve. Além disso, é muito importante que nos ajude a divulgar a nossa luta.

O que é o Luta Popular
Trata-se de um movimento popular presente em vários estados do país e que tem o objetivo de organizar os trabalhadores a partir do lugar onde moram. Organizamos grupos culturais que tem como objetivo a valorização da arte e cultura independente, grupos e associações de moradores dos bairros das periferias das grandes cidades que lutam cotidianamente por transporte, educação, saúde e pela infra estrutura do bairro e também grupos de luta por moradia. Para nos conhecer melhor visite a ocupação William Rosa ou faça contato pelos telefones: 89627608 (oi) ou 32712406 (horário comercial)

Fonte: www.cspconlutas.org.br

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